O primeiro contato que tive com a história de Marighella foi quando era estudante secundarista , na mesma época li o livro -
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Carlos Marighella - O Inimigo Número um da Ditadura Militar , assim conheci melhor essa importante figura da história brasileira escrito por Emiliano José.
Duas histórias vêm à cabeça quando pensamos em Carlos Marighella: sua resistência à prisão no episódio do Cinema e a invasão da Rádio Nacional. A primeira eu soube pelo documentário “Marighella” de 2012, de forma bem marcante através do depoimento de Clara Charf, sua companheira de vida e de luta. A segunda, com certeza foi pelo clipe de “Mil Faces de um Homem Leal” dos Racionais MC’s que, mesmo fazendo parte do filme, chegou a mim por vias diferentes.
O que ambas as histórias têm em comum?
São incríveis, cinematográficas, e protagonizadas por um negro, pobre e portador de ideais de libertação. A pergunta é: Por que se fala tão pouco de pessoas como Carlos Marighella? De pessoas que colocaram um ideal de libertação acima da própria vida?
Nascido na Bahia, de pai operário italiano, mãe negra da etnia dos Haussás e origem humilde. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e um dos líderes da Ação Nacional Libertadora (ALN).
Preso em duas ditaduras, torturado, guerrilheiro e poeta. Para a grande mídia e os que escrevem a História: terrorista.
“1964 — Com o golpe de abril, instaura-se a ditadura militar. Perseguido pela polícia, Marighella entra num cinema do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e lá resiste aos policiais até ser diversas vezes baleado, espancado e finalmente preso. Sua resistência transformou sua prisão em um ato político que teve repercussão nacional. É solto depois de 80 dias, depois de um habeas corpus pedido pelo advogado Sobral Pinto”.
POR MAGNO MOREIRA EM 03/2018
VÍDEO 1
VÍDEO 2
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Carlos Marighella - O Inimigo Número um da Ditadura Militar , assim conheci melhor essa importante figura da história brasileira escrito por Emiliano José.
Político, guerrilheiro e poeta, Carlos Marighella
vivenciou a repressão de dois regimes autoritários: o Estado Novo (1937-1945),
de Getúlio Vargas, e a ditadura militar iniciada em 1964. Foi um dos principais
organizadores da resistência contra o regime militar e chegou a ser considerado
o inimigo número um da ditadura. Teve ao todo quatro passagens pela prisão,
onde sofreu espancamentos e torturas, sendo a primeira delas aos vinte anos de
idade. Militou durante 33 anos no Partido Comunista e depois fundou o movimento
armado Ação Libertadora Nacional (ALN).
Começou sua trajetória política bem jovem. Sua
primeira prisão ocorreu em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao
interventor Juracy Magalhães. Em 1936, abandonou o curso de Engenharia Civil e
se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), na época dirigido por figuras
históricas como Astrojildo Pereira e Luís Carlos Prestes. Tornou-se, então,
militante profissional do partido e se mudou para o Rio de Janeiro.
Durante a ditadura na Era Vargas, foi preso por
subversão e torturado pela polícia de Filinto Müller duas vezes. Ficou na
prisão até 1945, quando foi beneficiado com a anistia pelo processo de
redemocratização do país.
Elegeu-se deputado federal constituinte pelo PCB
baiano em 1946, como um dos mais bem votados da época. Mas, nesse mesmo ano,
Marighella voltou a perder o mandato porque o governo Dutra, por orientação do
governo estadunidense, cassou todos os políticos filiados a partidos
comunistas.
Impedido de atuar pelas vias legais, retornou à
clandestinidade e ocupou diversos cargos na direção partidária. Convidado pelo
Comitê Central, passou os anos de 1953 e 1954 na China, para conhecer de perto
a Revolução Chinesa.
Em maio de 1964, após o golpe militar, foi baleado e
preso por agentes do Dops dentro de um cinema, no Rio. Libertado em 1965 por
decisão judicial, no ano seguinte decidiu se engajar na luta armada contra a
ditadura e escreveu o livro “A crise brasileira”.
Foi expulso do PCB, em 1967, por divergências
políticas, e no ano seguinte fundou o grupo armado Ação Libertadora Nacional,
com dissidentes do partido. A organização participou de diversos assaltos a
banco e do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em setembro
de 1969, numa ação conjunta com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).
Depois, o embaixador foi trocado por 15 presos políticos.
Com o recrudescimento do regime militar, os órgãos de
repressão concentraram esforços em sua captura. Na noite de 4 de novembro de
1969, Marighella foi surpreendido por uma emboscada de proporções
cinematográficas na alameda Casa Branca, na capital paulista. Foi morto a tiros
por agentes do Dops, em uma ação gigantesca coordenada pelo delegado Sérgio
Paranhos Fleury. A morte de Marighella marcou a história da resistência armada
urbana à ditadura militar no Brasil. A
ALN continuou em atividade até o ano de 1974.
Alguns escritos políticos de Marighella, embora
redigidos em português, ganharam primeiro uma edição em outra língua, devido à
censura imposta a obras do gênero pelo regime militar brasileiro. É o caso de
“Pela libertação do Brasil”, que em 1970 ganhou uma versão na França,
financiada por grupos marxistas. Estão disponíveis em português: “Alguns
aspectos da renda da terra no Brasil” (1958), “Algumas questões sobre as
guerrilhas no Brasil” (1967) e “Chamamento ao povo brasileiro” (1968). Uma das
mais divulgadas obras de Marighella,
“O minimanual do guerrilheiro urbano”, foi escrita em
1969, para servir de orientação aos movimentos revolucionários. Circulou em
versões mimeografadas e fotocopiadas, algumas diferentes entre si, sem que se
possa apontar qual é a original. Nessa obra, ele detalhou táticas de guerrilha
urbana a serem empregadas nas lutas contra governos ditatoriais.
Poema
Ainda na prisão, desta feita em 1939, ele compôs o
poema “Liberdade”
“(…)E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.”
Sua obra poética está reunida no livro Rondó da Liberdade.
“(…)E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.”
Sua obra poética está reunida no livro Rondó da Liberdade.
Duas histórias vêm à cabeça quando pensamos em Carlos Marighella: sua resistência à prisão no episódio do Cinema e a invasão da Rádio Nacional. A primeira eu soube pelo documentário “Marighella” de 2012, de forma bem marcante através do depoimento de Clara Charf, sua companheira de vida e de luta. A segunda, com certeza foi pelo clipe de “Mil Faces de um Homem Leal” dos Racionais MC’s que, mesmo fazendo parte do filme, chegou a mim por vias diferentes.
O que ambas as histórias têm em comum?
São incríveis, cinematográficas, e protagonizadas por um negro, pobre e portador de ideais de libertação. A pergunta é: Por que se fala tão pouco de pessoas como Carlos Marighella? De pessoas que colocaram um ideal de libertação acima da própria vida?
Nascido na Bahia, de pai operário italiano, mãe negra da etnia dos Haussás e origem humilde. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e um dos líderes da Ação Nacional Libertadora (ALN).
Preso em duas ditaduras, torturado, guerrilheiro e poeta. Para a grande mídia e os que escrevem a História: terrorista.
“1964 — Com o golpe de abril, instaura-se a ditadura militar. Perseguido pela polícia, Marighella entra num cinema do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e lá resiste aos policiais até ser diversas vezes baleado, espancado e finalmente preso. Sua resistência transformou sua prisão em um ato político que teve repercussão nacional. É solto depois de 80 dias, depois de um habeas corpus pedido pelo advogado Sobral Pinto”.
POR MAGNO MOREIRA EM 03/2018







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