José Martí:168 anos de história e legado em “Nuestra América”

Herói da independência cubana, ainda hoje o líder popular é reivindicado por militantes e movimentos latino-americanos. Mariana Lemos Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 31 de Janeiro de 2020 às 15:07h

 

''Yo soy un hombre sincero De donde crece la palma Y antes de morirme quiero Echar mis versos del alma Yo vengo de todas partes Y hacia todas partes voy Arte soy entre las artes En los montes, monte soy'' 

 A letra da famosa música Guantanamera, de melodia de Joseíto Fernández, é parte de um poema escrito pelo revolucionário e poeta cubano José Martí, que, neo dia 28 de janeiro de 2021 completaram-se 168 anos da data de seu nascimento. 

 Lutador pela independência de Cuba e unificação da América Latina, no ideal chamado de Pátria Grande, Martí é reverenciado por militantes e movimentos populares. Para o secretário continental da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), na articuação dos movimentos, o argentino Gonzalo Armúa, o principal legado de José Martí nos dias atuais “tem a ver com a ideia da independência e do nacionalismo revolucionário, que buscou a unidade de todas as frações que naquele momento estavam combatendo contra o colonialismo espanhol”. 

 “Em relação à América Latina, o maior legado que nos deixou Martí foi a concepção de toda a América Latina -- não a América Anglo-Saxônica e nem a norte-americana -- com uma unidade cultural, identitária, de luta e de resistência frente ao colonialismo, mas também frente ao novo imperialismo norte-americano. Martí, quando se refere à ‘Nossa América’ está dizendo que eles têm a sua América -- a América do Norte que quer conquistar o restante do continente -- e nós temos a nossa América”, explica. 

 Para além disso, Armúa ressalta que em Cuba, até hoje José Martí é visto como o grande herói da pátria. “Sabemos que Martí não é somente um dos líderes do processo de independência, mas é também um dos escritores e poetas mais importantes de todo o continente. É um dos pensadores que mais desenvolveu a ideia de como organizar a força revolucionária, de como organizar o país, de como construir essa identidade nacional.” Ao Brasil de Fato, Gonzalo analisa que José Martí é uma inspiração para a construção de uma pátria grande, livre e soberana, que une os povos de “Nuestra América”. “Todas as concepções anti-imperialistas latino-americanas vão beber de Martí. 

Vai atualizar todo o projeto de pátria grande de Bolívar, San Martín, de Morellos, com a perspectiva contra o imperialismo norte-americano. Vai construir o conceito de ‘Nuestra América’, que vai ser parte da identidade da tradição popular revolucionária do continente”; tradição esta que a Alba Movimentos.


                                 BRASIL DE FATO

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