Economia feudal
A economia durante a Idade Média era basicamente agrária, o que não significa afirmar que o comércio tenha desaparecido. Durante a Antiguidade Clássica, o mar Mediterrâneo foi o principal local do comércio marítimo. Com a expansão árabe a partir do século VII d.C., o Mediterrâneo foi conquistado por esse povo, e os europeus ocidentais não tinham alternativa a não ser a agricultura. Além disso, com a fuga das cidades para o campo, a terra se valorizou.
A prática agrícola exigia cuidado com a terra. Para isso, os servos que trabalhavam nela utilizavam instrumentos como o arado e a força dos animais domesticados. Uma técnica para manter a fertilidade do solo era a rotação das terras. Enquanto uma porção do terreno era utilizada, a outra porção ficava de repouso e era utilizada na plantação seguinte, enquanto a utilizada anteriormente ficava de repouso. Com isso, aumentou-se a produção e, consequentemente, a população.
Política feudal
No início do período medieval, os reis germânicos tentaram manter a unidade territorial do Império Romano. Os reis germânicos eram chefes políticos e militares, pois atuavam à frente dos seus soldados em momentos de guerra. O poder secular estava ligado ao poder religioso, por isso a Igreja Católica tinha grande influência na política medieval. Com a queda do império carolíngio, a unidade territorial se desfez e o poder se descentralizou entre os senhores feudais. Cada feudo se autogovernava, estabelecendo sua própria política.
Concessão de terras
Com a ruralização da Europa, as terras se valorizaram e se tornaram moedas de troca. O rei carolíngio, Pepino, o Breve, cedeu grande quantidade de terras para a Igreja Católica, mais especificamente na região central da Península Itálica. Surgiam assim os Estados Pontifícios, que eram territórios pertencentes ao papa e que vigoraram até a Unificação Italiana, em meados do século XIX. O atual território do Vaticano, em Roma, é o que restou desses Estados e só foi reconhecido pelo governo italiano após a assinatura do Tratado de Latrão, na década de 1920.
A doação de terras não se restringiu apenas aos monarcas da Alta Idade Média. Quem obtivesse algum terreno fazia questão de doá-lo ao clero no intuito de que tal ação seria retribuída na eternidade. Dessa forma, de doação em doação, a Igreja se tornou dona de uma grande quantidade de terras durante o período medieval. Se ela já detinha o poder espiritual, também exercia enorme poder sobre a terra.
Outra forma de concessão de terras era mediante acordos de fidelidade. As relações sociais na Idade Média eram caracterizadas dessa forma. O vassalo era o proprietário de terra que a cedia para um suserano em troca da sua fidelidade. Essa concessão era feita mediante contrato celebrado em evento público, com toda pompa e a presença de um bispo para assegurar a sua validade e a sua execução.
Crise do feudalismo
A crise do feudalismo começou a partir do século XII, quando mudanças na sociedade europeia colocaram em xeque as estruturas do feudalismo. As cidades voltaram a surgir após séculos de abandono, desde os tempos das invasões bárbaras. Houve o aumento populacional ocorrido no ano 1000, também chamado de “ano da paz de Deus”, por conta da queda significativa nas guerras medievais.
Com o aumento demográfico, a produção agrícola também se expandiu, exigindo maior trabalho dos servos e o uso de técnicas mais avançadas para atender a demanda.
Outro fator que transformou a sociedade europeia foram as Cruzadas.
Inicialmente eram expedições religiosas que se dirigiam até o Oriente para resgatar os locais sagrados para os cristãos e que estavam nas mãos dos islâmicos. No entanto, essas expedições ganharam outras dimensões ao trazerem para a Europa Ocidental produtos orientais, como as especiarias.
O comércio retomava suas atividades após mais de um milênio de predomínio agrícola. O mar Mediterrâneo voltava a receber expedições comerciais que interligavam o Ocidente com o Oriente. As cidades italianas de Gênova e Veneza fizeram acordos comerciais com os islâmicos a fim de manter a abertura do Mediterrâneo para essa nova onda comercial.
Surgia nesse contexto a burguesia, uma classe social formada por comerciantes que enriqueceram com as trocas comerciais de produtos orientais. Ao redor dos feudos se formavam as feiras, que faziam as negociações dos produtos; instalava-se os primeiros bancos para fazer as conversões monetárias, e as moedas voltavam a circular no Ocidente.
Após séculos de domínio eclesiástico sobre a produção cultural, o período final do feudalismo marcou a retomada o cientificismo, ou seja, da pesquisa científica no estudo sobre a natureza. Temendo represálias da Igreja, muitos cientistas faziam seus experimentos às escondidas. O humanismo começava a se fortificar na Europa, um movimento cultural que valorizava o ser humano e toda sua potencialidade. Mesmo mantendo as temáticas religiosas, as produções artísticas no final da Idade Média apontavam para as expressões de traços humanos na pintura e escultura.
Essas mudanças na Europa Ocidental são chamadas de renascimento. O europeu da transição da Idade Média para a Idade Moderna buscava fazer renascer os princípios humanistas que caracterizaram a cultura clássica greco-romana. O teocentrismo, Deus no centro do Universo, cedia lugar para o antropocentrismo, o ser humano como centro e principal medida de todas as coisas.
A crise do feudalismo não foi apenas pela retomada dos valores greco-romanos. A peste negra foi uma doença altamente infecciosa e que se alastrou por toda a Europa, matando 1/3 da população. Com o excesso de trabalho e desejosos por sair dos feudos e mudar de vida nas cidades, os servos de revoltaram contra os seus senhores, encerrando um período de mais de um milênio de obrigações e apego à terra.
Os reis começaram a ganhar força política ao liderarem as tropas militares que abafaram as revoltas servis e atuaram na linha de frente das guerras entre os primeiros reinos europeus, como a Guerra dos Cem Anos, um conflito envolvendo a França e a Inglaterra. De chefes militares, os reis ganhavam poderes políticos e começavam a se tornar monarcas absolutistas, característica dos reinos modernos.
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Resumo sobre o feudalismo
O feudalismo foi um modelo econômico e social, baseado na terra e na relação de fidelidade entre homens, que durou ao longo de toda a Idade Média.
A origem do feudalismo está no final do Império Romano, quando surgiram os colonatos — terras onde os romanos buscavam abrigo e, em troca, trabalhavam para os seus donos.
Características do feudalismo: política descentralizada, economia rural e sociedade estamental.
Concessão de terras acontecia dentro da relação de fidelidade entre os homens, na qual o suserano concedia uma porção de terras para um vassalo.
A crise feudal se deu por conta das mudanças na Europa provocadas pelos renascimentos cultural, urbano e comercial.
Exercícios resolvidos
Questão 1 – Leia os itens e assinale o que corretamente traz uma característica da sociedade feudal durante os séculos V ao XV:
A) Era uma sociedade industrial baseada na luta de classes entre operários e donos das fábricas.
B) Era estamental e não permitia a movimentação social.
C) Nela a igualdade predominava entre as classes sociais.
D) Era capitalista, e o acúmulo de capital marcou a atividade burguesa da época.
Resolução
Alternativa B. A sociedade feudal não permitia a mobilidade social. No período medieval, cada classe social tinha sua função predeterminada e era praticamente impossível haver ascensão social. Os que lutavam eram os nobres, que, além de serem os donos das terras, formavam os cavaleiros que lutavam nas guerras. O clero católico tinha como função a oração e estabelecer a ponte entre o céu e a terra. Os servos, maioria da população, era a grande mão de obra, que produzia para si e para os que estavam acima na pirâmide social.
Questão 2 – Houve uma crise que levou ao fim do feudalismo e promoveu a transição da Idade Média para a Idade Moderna.
Leia os itens seguintes e assinale qual alternativa, de forma correta, aponta as causas dessa crise:
A) Os renascimentos urbano, comercial e cultural.
B) A Revolução Industrial, que substituiu a agricultura como principal atividade econômica.
C) As guerras religiosas promovidas após a Revolução Inglesa.
D) O fim do absolutismo na Europa.
Resolução
Alternativa A. As mudanças na Europa entre os séculos XI a XV desestabilizaram a estrutura social da Idade Média.
O renascimento das cidades, do comércio e cultural promoveu a crise que levou ao fim do feudalismo no Ocidente.
PESQUISA: MAGNO MOREIRA

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