A esquerda ganhou na Argentina e no Chile. Vai também vencer no Brasil?

 *O blogueiro que assina agora essa publicação gosta muito de alvíssaras, assim tudo que - lhe é alvissareiro o embriaga como uma garrafa de Absinto, 89,9% esse é um artigo alvissareiro e quem sabe, deveras premonitório; Quiçá?   

Argentina, Chile e Brasil têm grandes semelhanças no perfil político de seus habitantes, a começar pela polarização entre esquerda e direita Em dezembro de 2021 o ex-líder estudantil Gabriel Boric (imagem), de apenas 35 anos, ganhou as eleições presidenciais no Chile. 

É mais um país de expressão da América do Sul no qual a esquerda consegue vencer nos últimos tempos – o primeiro foi a Argentina, com a vitória de Alberto Fernandez em 2019.
Neste ano de 2022, teremos também eleições presidenciais. Luiz Inácio Lula da Silva é líder em todas as pesquisas eleitorais feitas recentemente. Isso significa que a esquerda também será vitoriosa no Brasil? Argentina, Chile e Brasil têm grandes semelhanças no perfil político de seus habitantes, a começar pela polarização entre esquerda e direita. 

Nos três países, os eleitores de centro cumprem a função de decidir os pleitos e têm se comportado de forma pendular desde que essas nações voltaram à democracia, com vantagem numérica de resultados para a esquerda. No caso argentino, um candidato com promessas liberais não conseguiu cumprir o programa divulgado durante as eleições e inflou a oposição peronista, que voltou à Casa Rosada com Alberto Fernández. 

 O Chile, no entanto, passou por um processo mais complexo. Protestos nos últimos anos colocaram em xeque o modelo econômico engendrado desde a ditadura militar e provocaram um imenso confronto de ideias dentro da população. De um lado, os conservadores e, de outro, centristas e esquerdistas que desejavam mudanças na economia. Com um detalhe especial: o conservadorismo, que no Chile sempre foi muito forte, perdeu espaço recentemente (um exemplo: no plebiscito que decidiu em 1988 se o general Augusto Pinochet continuaria no poder, o “sim” teve 44 % dos sufrágios). Há uma outra semelhança entre Argentina, Chile e Brasil. 

São três economias que estão patinando e longe de obter o crescimento necessário para gerar empregos e riquezas. Além, disso, a inflação nos três países também preocupa. Aqui no Brasil, nos incomodamos com um índice que anda por volta dos 10 % anuais. Na Argentina, porém, a alta de preços é cinco vezes maior. Ou seja, nossos vizinhos enfrentaram problemas semelhantes aos nossos e optaram por abrir a porta da esquerda (porém, em novembro, nas eleições parlamentares, os argentinos deram um aviso: o governo perdeu a maioria no Senado, mas manteve a hegemonia da Câmara, contra todas as expectativas). Os empresários argentinos, ao contrário da maioria da população, já perderam a paciência. Eles se queixam muito da interferência dos sindicatos dentro das empresas e de uma inflação que ultrapassa os 50 % anuais. 

 Isso tudo somado significa que Lula vai vencer? Estamos falando de problemas que parecem ser parecidos, mas que têm muitas peculiaridades regionais. Mas há dois pontos importantes nessa comparação que podem ter semelhanças significativas com o caso brasileiro. 


 A primeira é o fracasso do ex-presidente Maurício Macri, que prometeu colocar a Argentina nos trilhos do liberalismo e apenas entregou um arremedo de agenda liberal. Embora a receita dos liberais não tenha sido implementada no país, a mensagem que a esquerda passou ao eleitorado foi uma só: a direita deu errado. 

O resultado foi a volta dos peronistas. O segundo ponto tem a ver com o aumento do índice de pobreza no Chile, que saiu de 8,6 % da população em 2017 para 10,8 % no ano passado.


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