- PSTU - Origens: uma história de trinta anos

 

O PSTU foi sem dúvida um salto no caminho da construção de um partido revolucionário no Brasil, mas a história da corrente trotskysta ligada à LIT está estreitamente unida à luta da classe trabalhadora brasileira nos últimos 30 anos. 

Confira algumas datas importantes nas origens do partido. 

1972 

Com a repressão da ditadura, militantes viajam para o Chile, no governo de Salvador Allende. Entre eles, Túlio Quintiliano, ex-militante do PCBR, Enio Buchioni, ex-militante da Ação Popular, Maria José (Zezé) e Jorge Pinheiro, ex-militantes do MNR, e Waldo Mermelstein. Por intermédio de Mário Pedrosa e do trotskista peruano Hugo Blanco, entram em contato com a IV Internacional e formam o grupo Ponto de Partida. 1973 Golpe militar derruba Allende. Túlio Quintiliano é executado no Estádio Nacional. Ocorre a dispersão do Ponto de Partida. Enio é preso e consegue exilar-se na França. Zezé, Jorge e Waldo fogem e vão para a Argentina, onde fundam a Liga Operária. 1974 De volta ao Brasil, os militantes da Liga Operária publicam o jornal Independência Operária. O ascenso no movimento estudantil leva a Liga Operária (LO) a priorizar a construção na juventude e chega a 300 militantes no final de 1977.


1977 

 Maio – Milhares de estudantes e trabalhadores saem às ruas pela libertação de presos políticos, em São Paulo. Entre eles, os metalúrgicos Celso Brambilla e José Maria de Almeida, da LO. Agosto – O PST argentino, de Nahuel Moreno, funda a Tendência Bolchevique, uma das três tendências da IV Internacional. Novembro – A LO participa do jornal Versus. Aos poucos, passa a influir mais na redação e em 1978, deixa de editar o Independência Operária. 19789 Janeiro – Ocorre em São Paulo a primeira reunião para lançar a Convergência Socialista. Março – É lançado o Movimento Convergência Socialista (MCS) como tática para a construção de um Partido Socialista, no Colégio Equipe, em São Paulo. A Liga Operária passa a se chamar Partido Socialista dos Trabalhadores, que integra o MCS. 19 de agosto – 
O MCS realiza sua 1a Convenção Nacional com mais de 300 delegados, de oito estados, e 1.200 presentes. 21 de agosto – 24 militantes da CS são enquadrados na Lei de Segurança Nacional e presos durante todo o segundo semestre. Entre eles Nahuel Moreno. 

A campanha pela sua libertação, que inclui uma greve de fome, mobiliza o movimento estudantil e tem repercussão internacional, com mensagens como a do escritor Gabriel Garcia Márquez. 

1979 
O PST se integra à CS. 22 a 27 de janeiro – A CS é a primeira organização a chamar a construção do PT. No IX Congresso dos Metalúrgicos de São Paulo, em Lins (SP), Zé Maria, do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e militante da CS, propõe um manifesto chamando “todos os trabalhadores brasileiros a unir-se na construção de seu partido, o Partido dos Trabalhadores”. A moção é aprovada. Março – Explode a greve dos metalúrgicos do ABC e do interior. A CS tem importante participação. A UNE é reconstruída. A CS participa com sua corrente estudantil, o Ponto de Partida. 

1980 

Greve de 40 dias no ABC. 

Maio – Durante a greve dos metalúrgicos do ABC, a polícia prende vários sindicalistas, entre eles Lula e Zé Maria. Eles ficam 31 dias presos. 1º de Maio – A CS participa do ato que reúne 100 mil trabalhadores no Estádio de Vila Euclides, em São Bernardo. 

29 de agosto – Cerca de 3 mil pessoas participam dos atos da CS e OSI no 40º aniversário do assassinato de Leon Trotsky. 

Setembro – Em São Paulo, congresso funda a UMES. 18 e 19 de outubro – 1º Conferência de Mulheres da CS. 

Eduardo Almeida, Lula e Zé Maria 26 de outubro – A CS participa do Ato no Estádio de Vila Euclides, em repúdio aos atentados e contra o enquadramento de Lula e demais dirigentes na LSN. 

3 de novembro – O Convergência Socialista lança campanha para obter 15 mil assinantes e 800 mil cruzeiros e garantir a sobrevivência do jornal, atacado por bandos fascistas. 

A campanha duplica os objetivos. 1981 Das 100 mil filiações da campanha de legalização do PT, 20 mil são feitas pela CS e pela OSI. 14 e 15 de março – 1a Conferência Nacional da Fração Homossexual da CS.

 Dezembro – Após polêmica sobre o caráter do governo de Frente Popular de Mitterrand, na França, a CS e a OSI rompem o projeto de uma só organização. 1982 

 Janeiro – Fundada a Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional). 

O que motiva a fundação da LIT-QI é a necessidade imperiosa de preservar o programa e os princípios do trotskismo e construir um partido que começasse a resolver a ausência de uma direção revolucionária mundial. 

1983 

 Março – A CS e o Alicerce da Juventude Socialista se unificam, passando a ser uma única organização denominada Alicerce. Agosto – 

-A CS participa do I Conclat (Congresso das Classes Trabalhadoras), que aprova a fundação da CUT. Novembro – Marchas pelas Diretas reúnem cinco milhões no país. Uma em cada 24 brasileiros. 

A CS propõe greve geral. 

1984 

 Abril – Em seu 8º Congresso, os socialistas decidem retomar a Convergência Socialista. “Durante um ano estivemos apoiando as lutas dos trabalhadores, mas com um peso maior na juventude, por meio de Alicerce da Juventude Socialista. 

O ascenso dos trabalhadores volta ao centro, e o retorno da Convergência Socialista se faz necessário”. Junho – Chapa apoiada pela CS vence eleição do Sindicato dos Metalúrgicos de BH e Contagem. 16 de setembro – Sede da ACS Editora é invadida. Outra sede, em Porto Alegre, é atingida por um início de incêndio. 

1985 

 Oposições apoiadas pela CS vencem as eleições no Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e nos Metalúrgicos de São José. 

1987 

 25 de janeiro – Morre Nahuel Moreno, fundador da LIT-QI. 1988 A CS, no PT, reelege Ernesto Gradella em São José dos Campos, e elege mais cinco vereadores: Guilherme Haeser (Rio), Paulo Moura (Contagem), Babá (Belém), Paulo Rigo (Passo Fundo) e Alvarenga (Porto Alegre). Mauro Puerro, suplente em São Paulo, assume a vaga pouco depois. Com isso, são sete vereadores. 1989 14 de março – Explode a primeira greve geral em trinta anos. Zé Maria é um dos dirigentes da ocupação da Mannesman. Junho – Um ato na abertura do Congresso da CS no Anhembi, em São Paulo, reúne cinco mil pessoas, de todo o país. 1990 11 de setembro – Greves, como as de eletricitários e bancários, enfrentam o arrocho de Collor. Outubro – Ernesto Gradella é eleito deputado federal. 
1991 

 Janeiro – 500 famílias sem-teto da ocupação “Vila Socialista”, em Diadema (SP), são desalojadas. 

Dois sem-tetos são mortos e o vereador Romildo Raposo, da CS, é preso. Inicia-se uma campanha pela libertação. Dezembro – No 1º Congresso Nacional do PT, a direção proíbe as tendências. 

 1992 

 Em seu editorial, o jornal Convergência Socialista chama o “Fora Collor e o FMI!”. Fevereiro – 

Com 15% de popularidade, Collor já não consegue governar sozinho. Patrões atraem lideranças sindicais para o pacto social. 6 de abril – A Executiva do PT expulsa a Convergência Socialista. 

Na resolução, o então secretário-geral José Dirceu aponta, como uma das faltas graves da CS, o desenvolvimento de uma “ação de rua e tática de oposição ao governo”. Ou seja, a campanha pelo Fora Collor. 

Junho – Expulsa do PT, a CS chama a formação da Frente Revolucionária. 

A CS e dezenas de organizações e coletivos da Frente fazem um chamado aos ativistas: desafiar a Articulação a transformar a indignação das massas em ação pelo Fora Collor e Eleições Gerais! 

Julho – CS apresenta candidatos pela legenda do PT, a serviço da Frente Revolucionária. 

14 a 16 de agosto 


– As maiores mobilizações de rua desde as Diretas Já exigem Fora Collor! No Rio, mais de 30 mil gritam em coro: Ai, ai, ai, ai, se empurrar o Collor cai. 

25 de agosto – Centenas de milhares de pessoas, pintadas de preto, respondem ao chamado feito por Collor e vão às ruas, no Domingo Negro. 

Setembro – CS propõe greve geral no dia do impeachment. Outubro – As massas derrubam Collor. Na votação do impeachment, o deputado Ernesto Gradella, em nome da CS e da Frente Revolucionária, ataca a posse de Itamar: Fora Collor e o FMI! Não a Itamar! 

Eleições Gerais! Que Lula governe! 

1993

-Janeiro – Centenas de ativistas sindicais, na maioria da CUT pela Base, rompem com o PT e aderem à Frente Revolucionária. Capa de jornal da Convergência Socialista 10 e 11 de abril 

– Mais de 730 militantes revolucionários reúnem-se no Colégio Caetano de Campos, em São Paulo, e criam o Movimento pró Partido Socialista dos Trabalhadores – Unificado. Entre as diversas organizações e grupos que participam, estão a Democracia Operária (RS), o PFS, o MSR (PE), a Liga e a CS. 21 de abril 

– O Movimento Pró PSTU chama o voto nulo no Plebiscito sobre o Parlamentarismo. 4 de maio – Greve nacional dos estudantes. 

-Agosto – É aprovado o registro provisório do PSTU. Outubro – Com o lema Tome Partido, 

Entre no PSTU, é lançada a Campanha de Filiação. 4 e 5 de dezembro – Realizado em São Paulo o primeiro Encontro do PSTU, com mais de 600 companheiros.

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